A artista visual e pesquisadora cearense Trojany abre neste sábado (15/8), às 19h, sua primeira exposição individual, “Água Escura Natureza Elétrica”, na Casa do Barão de Camocim, em Fortaleza. A mostra reúne 15 obras produzidas ao longo de mais de uma década, com curadoria de Rodrigo Lopes, e explora a água como território, memória e tecnologia.
Com curadoria de Rodrigo Lopes, a exposição reúne 15 obras produzidas ao longo de mais de uma década de pesquisa e criação. Fotografias de família, retratos de ritos de passagem, vídeos, registros de performances, objetos encontrados, fotografias do século XIX, bandeiras-palavras, sites e aves taxidermizadas compõem um acervo que tensiona as relações entre a história colonial e contemporânea do Ceará.
A água aparece como fio condutor desse percurso e perpassa por diferentes experiências do território cearense: da seca extrema ao transbordamento, das enchentes e chuvas de granizo aos ritos e gestos do cotidiano. Ao reunir diferentes materiais e linguagens, Trojany investiga as relações entre corpo, natureza, tecnologia, memória e os processos de transformação do território.
A escolha da Casa do Barão de Camocim para receber a exposição também tem um significado particular para a artista. Foi no equipamento, em 2013, durante sua participação no Curso de Realização em Audiovisual da Vila das Artes, que ela teve uma de suas primeiras experiências com as artes visuais e com a criação de uma instalação.
“Foi a minha primeira experiência de fato num ambiente expositivo, em que pude pensar uma instalação e desenvolvê-la dentro da Casa. Naquela época, era um espaço bem abandonado e esquecido. Então, ter uma exposição de 10 anos de trabalho nesse mesmo local é muito importante para mim, como forma de manifestar essa reorganização do espaço e do tempo. É uma forma de fechar um ciclo muito importante da minha vida”, pontua a artista.
Para a gestora da Casa do Barão de Camocim, Ana Aline Furtado, receber a exposição também representa um momento de afirmação do equipamento como espaço dedicado à produção artística contemporânea. “Há algo muito potente no retorno de Trojany à Casa do Barão de Camocim. Quando esteve aqui pela primeira vez, em 2013, a Casa ainda não era um equipamento cultural. Hoje, ela retorna com uma trajetória artística construída ao longo de mais de uma década e encontra um espaço que também passou por uma transformação profunda, tornando-se lugar de produção, pesquisa, formação e circulação de arte. Essa exposição aproxima duas histórias que se transformaram ao longo do tempo e que agora voltam a se encontrar”, ressalta.
No domingo (16/8), a programação da exposição continua com ações formativas e de mediação abertas ao público. Pela manhã, das 9h às 12h, Trojany ministra a oficina “Comer o Oráculo”, uma roda de conversa e imersão em seus processos criativos e de pesquisa.
À tarde, das 14h às 16h, o curador Rodrigo Lopes conduz uma visita guiada pela exposição, compartilhando com o público aspectos do processo de criação e das pesquisas que atravessam as obras.
O projeto também contempla ações de acessibilidade para pessoas com deficiência e uma versão virtual acessível da exposição, que estará disponível no site da iniciativa, a ser lançado em breve.
Trojany (Icó-CE, 1993) vive e trabalha entre Fortaleza e Icó. Investiga as raízes negras e indígenas do território onde cresceu, observando os desdobramentos coloniais, tecnológicos e modernizantes da vida rural. Com uma abordagem ampliada do conceito de arquivo, traça interações entre corpo, máquina, natureza, memória e virtualidade por meio de instalações, sites, taxidermia, artes digitais, filmes e performances.