No Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), histórias de paternidade se entrelaçam com a memória institucional. O desembargador Mauro Ferreira Liberato, atual vice-presidente, relembra a infância no antigo Palácio da Justiça, onde o pai, Cid Gerardo Paracampos Liberato, trabalhou por décadas, chegando a diretor geral. A convivência com o ambiente forense despertou nele o interesse pelo Direito, que seguiu como carreira.
“Meu pai era um servidor muito abnegado, tinha uma vontade de trabalhar muito grande. Ia de manhã e à tarde para o Tribunal. Pela manhã, ele ia sem paletó porque [o ambiente] era mais informal. À tarde, não. Estava sempre de paletó. Era uma característica dele. Ele nunca foi da área jurisdicional — sempre foi da administrativa — mas a gente lidava com muito processo físico, e eu fui criando gosto. Evidentemente isso me influenciou”, conta o desembargador.
Em outra ponta, o operador de som Régis Davi Batista, que atua nas transmissões do TJCE, aguarda a chegada do primeiro filho, Davi Lorenzo, previsto para setembro. Ele celebra o primeiro Dia dos Pais neste domingo (09/08) e destaca a influência do próprio pai: “Sou muito ligado ao meu pai. Tenho memórias da gente jogando juntos, saindo pra passear, assistindo desenhos….E eu só quero repetir isso com meu filho”.
No Fórum Professor Dolor Barreira, o analista judiciário Raulyson Moura Rocha Colares tomou posse no mesmo cargo que o pai, Francisco Robson Colares Menezes, havia assumido 25 anos antes. “Foi ele quem me incentivou a estudar para aquele concurso, insistindo para que eu aproveitasse a oportunidade. Quando contei que tinha sido aprovado, a emoção foi compartilhada”, lembra Raulyson.
Em Brejo Santo, o servidor Antônio Raimundo do Nascimento, do Cejusc, renunciou à função de diretor de secretaria para acompanhar a filha Isis, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Para que eu pudesse acompanhá-la nas terapias, eu renunciei à função de diretor de secretaria e passei a estar mais presente no dia a dia. Sem dúvida, hoje sou um outro Antônio, mais humano e solidário”, relata.
Essas narrativas, que se repetem nos corredores do TJCE, reforçam que a Justiça é feita também de pessoas e laços familiares que atravessam gerações.