quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Postado emCeará, Política

Lei Maria da Penha completa 20 anos com desafios na proteção às mulheres

Lei Maria da Penha completa 20 anos com desafios na proteção às mulheres
Lei Maria da Penha completa 20 anos com desafios na proteção às mulheres
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Há 20 anos, a sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) marcou um avanço no enfrentamento à violência doméstica no Brasil. A legislação, que leva o nome da farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, criou mecanismos de prevenção, proteção e responsabilização de agressores, mas ainda enfrenta desafios para garantir a segurança das mulheres.

Em 1983, Maria da Penha foi vítima de tentativa de feminicídio pelo então marido, que a deixou paraplégica. Após quase duas décadas de luta por justiça, o caso chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que em 2001 reconheceu a negligência do Estado brasileiro. A persistência dela deu nome à lei sancionada em 7 de agosto de 2006.

Em entrevista à Defensoria Pública em 2024, Maria da Penha destacou a importância da imprensa na cobertura de feminicídios: “Acredito que a boa imprensa tem desempenhado um papel muito importante. Mesmo quando noticia um feminicídio, ela pode mostrar que a rede de proteção falhou ao não conseguir evitar que aquela mulher fosse assassinada.”

Apesar dos avanços, os números ainda são alarmantes. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde 2015, com crescimento de 4,7% em relação a 2024. Parceiros ou ex-parceiros foram responsáveis por 80,7% dos casos com vínculo identificado, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A lei define cinco formas de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, e estrutura medidas de proteção e assistência. A Defensoria Pública do Ceará, por meio do Nudem, registrou 17.525 procedimentos entre janeiro e junho de 2026 e 31.044 em 2025, totalizando quase 50 mil em 18 meses.

A defensora pública Jeritza Braga, supervisora do Nudem, ressalta: “A violência de gênero atravessa, de diferentes maneiras, a experiência social de cada mulher, ainda que nem sempre se manifeste de forma direta.” Já a defensora pública-geral do Ceará, Sâmia Farias, afirma: “Que nenhuma mulher precise morrer ou se tornar símbolo para ser reconhecida em seus direitos. O desafio é fazer com que a proteção chegue a cada mulher e que a educação dos meninos também seja parte do enfrentamento.”

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