A 2ª edição da feira Febre de Arte, realizada em Fortaleza, destacou a importância de eleger políticos comprometidos com o desenvolvimento de políticas sobre drogas que promovam a justiça social.
No Anfiteatro Sérgio Motta, especialistas enfatizaram a necessidade de propostas viáveis que atendam às demandas da população. A médica Magda Almeida, da Universidade Federal do Ceará, abordou a questão, afirmando que há uma visão ideológica que reduz o debate a uma simples afirmação de que ‘maconha faz mal’.
Magda também comentou sobre o impacto desproporcional da chamada ‘guerra às drogas’ sobre negros e pobres, e mencionou a utilização de medicamentos como a pregabalina, que pode ter efeitos colaterais severos, em contraste com o uso da cannabis para tratar condições como epilepsia e ansiedade.
A pesquisa da Blis Data revelou que mulheres mais velhas e empregadas são as principais consumidoras de cannabis medicinal no Brasil, buscando alívio para distúrbios do sono e dor crônica. O 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas indicou que a cannabis é a droga ilegal mais utilizada no país, com um aumento significativo no uso entre adultos e adolescentes.
Os palestrantes também discutiram a relação entre a seletividade das polícias e o encarceramento em massa da população negra, destacando que 40% dos brasileiros vivem sob a influência de organizações criminosas. O advogado Italo Coelho comparou a repressão à cannabis com a perseguição a culturas tradicionais, enquanto a ativista Tamára Silva criticou a abordagem repressiva das autoridades.
Durante o evento, Bianca Cardial, mediadora das apresentações, ressaltou as consequências do encarceramento para as famílias, com gastos elevados em produtos básicos para presos. Relatórios indicam que a implementação da Lei de Drogas gerou custos significativos, enquanto o Ipea estima que os homicídios relacionados à proibição das drogas custam cerca de R$ 50 bilhões por ano.
A feira, organizada pela Agência Liamba 360° e a Adapta Associação Canábica, contou com a parceria da Auê Feira, que trouxe experiência de mais de 100 edições e um público de mais de 500 mil pessoas.