Vinte anos após a implementação da Lei Maria da Penha, mulheres que enfrentaram a violência doméstica compartilham suas experiências e os desafios que ainda persistem. Medidas protetivas e acolhimento são algumas das ferramentas disponíveis para ajudar na reconstrução da autonomia dessas mulheres.
Em novembro de 2024, Irene* foi surpreendida pelo ex-companheiro, que arrombou a porta de sua casa após oito meses de separação. Apesar de nunca ter sofrido agressões durante o relacionamento, o episódio a deixou assustada e sem chão. “Fiquei com medo do que poderia acontecer”, relembra.
Reconhecendo o risco, Irene registrou um boletim de ocorrência e solicitou uma medida protetiva. Em 2023, o Brasil registrou 1.467 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime em 2015, evidenciando a urgência de ações de proteção.
A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, trouxe avanços significativos no combate à violência doméstica, reconhecendo diversas formas de violência e estabelecendo mecanismos de proteção. Irene buscou apoio no Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem), onde recebeu atendimento especializado e orientação jurídica.
Silvia*, outra mulher que rompeu um ciclo de violência, encontrou na Casa da Mulher Brasileira o suporte necessário para reconstruir sua vida após anos de agressões. “O atendimento aqui foi maravilhoso. A violência cessou e eu me senti acolhida”, afirma.
Profissionais de saúde mental, como a psicóloga Priscilla Fernandes, destacam a importância de ajudar as mulheres a reconhecerem a violência e a recuperarem sua autonomia. O acolhimento é fundamental para que elas possam tomar decisões sobre suas vidas.
As histórias de Irene e Silvia, entre muitas outras, ilustram não apenas os avanços da legislação, mas também os desafios que ainda precisam ser superados na luta contra a violência de gênero.
