O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) apresentou, nesta terça-feira (25/08), o Projeto “EntreLaços” para famílias que vivenciam o desaparecimento de entes queridos. O encontro ocorreu na Cidade da Criança, no Centro de Fortaleza, local que se tornou símbolo da mobilização de familiares em busca de respostas.
Desenvolvido pelo Núcleo Judicial de Justiça Restaurativa (Nujur) em parceria com o Centro Especializado de Apoio às Vítimas (Ceav), o projeto oferece espaços de escuta, diálogo e suporte psicossocial, baseados nos princípios da Justiça Restaurativa. O objetivo é acolher, fortalecer redes de cuidado e contribuir para a ressignificação de experiências de luto, desaparecimento e outras perdas.
A coordenadora do Nujur, juíza Jovina d’Ávila Bordoni, destacou que a iniciativa amplia os espaços de acolhimento. “Não podemos mudar a realidade vivida por essas famílias, mas podemos oferecer um espaço de escuta e acolhimento. Quando compartilhamos nossas dores e experiências, fortalecemos a nós mesmos e aos outros. Muitas vezes, a vivência de uma pessoa toca e inspira outra, ajudando a dar novos sentidos à vida”, explicou.
Durante o evento, a supervisora operacional do Ceav, Yane Machado, apresentou os serviços do centro, como atendimento psicossocial e acompanhamento psicológico individual. “Com a parceria com o Nujur e o Projeto EntreLaços, buscamos ampliar esse acolhimento às famílias que vivenciam a dor do desaparecimento de entes queridos”, afirmou.
A defensora pública Mariana Lobo, do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (NDHAC) da Defensoria Pública do Estado, ressaltou a importância da iniciativa para aproximar as instituições das famílias. “Essas famílias passam por um processo de luto e pela angústia de muitas vezes não saber o que aconteceu com o seu familiar. Momentos como esse são importantes para fortalecer a rede de apoio e assistência”, frisou.
O assessor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Ceará, Daniel Mamede, destacou o apoio a iniciativas que fortalecem os familiares. “O objetivo é fortalecer mutuamente as famílias por meio dessa atuação coletiva”, enfatizou.
O encontro reuniu representantes de instituições como a Perícia Forense do Ceará (Pefoce), a Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas de Fortaleza, o Ministério Público do Ceará (MPCE) e o Coletivo Aparece. Familiares como Vera Ranu, Maria Áurea, Cleide Santiago e Lucila Maria França da Costa compartilharam suas histórias de luta e destacaram a importância do apoio mútuo.
