A Justiça se deslocou até a residência de uma mulher de 106 anos, em situação de vulnerabilidade, na zona rural de Sobral, para realizar uma audiência de interdição. A sessão ocorreu na casa da idosa, com a participação da Defensoria Pública, do Judiciário e do Ministério Público, evitando que ela precisasse enfrentar o deslocamento até o Fórum.
A idosa, que possui mobilidade reduzida, deficiência visual e pouca audição, não teria condições de chegar ao local da audiência devido às dificuldades de acesso na comunidade onde reside. O defensor público Dani Esdras Cavalcante explicou que a falta de sinal de internet na região inviabilizaria a realização da audiência por videoconferência.
A audiência foi parte de um processo de interdição solicitado para que a filha da idosa pudesse formalmente representá-la, especialmente na administração de seu benefício previdenciário. O juiz Daniel Gondim e o promotor de justiça Jonas Veprinsky Mehl participaram da audiência, que permitiu que a condição da idosa fosse verificada presencialmente.
O assistente social da Defensoria Pública, Sérgio Santiago, destacou a importância do atendimento humanizado, afirmando que a experiência representa um marco para a Justiça ao levar o atendimento a quem mais precisa. A presença de profissionais da Justiça na residência da idosa possibilitou um contato direto com sua realidade, que muitas vezes é apenas relatada em documentos.
Para pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente em áreas rurais, o acesso à Justiça pode exigir que as instituições se desloquem até elas. O defensor público enfatizou que a presença da Justiça na casa da assistida garantiu que sua dignidade e direitos fossem respeitados, reafirmando que a Justiça deve encontrar caminhos para alcançar aqueles que não conseguem chegar até ela.