O Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) deflagraram, na manhã desta terça-feira (11/08), a Operação “Omertá”, que investiga a suposta interferência de uma organização criminosa nas eleições de 2024 e 2026 em Sobral. Foram cumpridos 14 mandados de prisão, incluindo vereadores, um assessor jurídico da Câmara e integrantes da facção.
Durante a ação, também foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. Uma policial militar e outros agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias. Os mandados foram autorizados pela Justiça Eleitoral, a pedido conjunto do MPCE, por meio do Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, e da FICCO.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Norte) do MP e a Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco Norte) da Polícia Civil apoiaram a operação. Foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro em espécie e documentos.
Segundo as investigações, a organização criminosa cobrava uma espécie de “pedágio” de cerca de R$ 60 mil aos candidatos para acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral. Além disso, o grupo tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de coação e ameaça.
A pedido do Ministério Público Eleitoral, a Câmara Municipal de Sobral terá que fornecer a lista completa de todos os ocupantes de cargos comissionados, de confiança e temporários contratados pelo Poder Legislativo, indicando atribuições, carga horária e se houve análise de antecedentes criminais antes ou após as nomeações.
Se condenados, os investigados podem responder pelos crimes de integrar organização criminosa, realizar domínio social estruturado, extorsão, lavagem de dinheiro, corrupção e impedimento de exercício de propaganda eleitoral. O termo “Omertá” refere-se ao código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe cooperação com autoridades.
