quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Benigna Cardoso: de vítima de feminicídio a primeira beata do Ceará

Benigna Cardoso: de vítima de feminicídio a primeira beata do Ceará
Benigna Cardoso: de vítima de feminicídio a primeira beata do Ceará
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Em 24 de outubro de 1941, Benigna Cardoso da Silva, de 13 anos, foi morta a facadas ao resistir a uma tentativa de estupro em Santana do Cariri, no interior do Ceará. O crime, que hoje seria classificado como feminicídio, transformou a jovem em símbolo de resistência e devoção popular.

Na época, Benigna voltava da escola e foi buscar água em uma cacimba quando foi abordada por Raul Alves Ribeiro, de 17 anos, colega de classe. Após recusar suas investidas, ela foi atacada com golpes de facão. O primeiro corte atingiu a mão direita, arrancando três dedos, seguido de golpes na testa, nas costas e no pescoço, que foi fatal.

O assassinato causou comoção na comunidade. O padre Cristiano Coelho, que havia orientado Benigna a resistir às investidas, registrou em sua certidão de batismo: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde do dia 24 de outubro de 1941, no Sítio Oiti. Heroína da Castidade. Que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa Santinha”.

O pesquisador Joedson Kelvin Felix de Oliveira explica que há diferentes narrativas sobre o caso. “As narrativas jurídicas e documentais apontam que Benigna foi violentada sexualmente e assassinada porque teria ameaçado contar o que aconteceu. Relatam ainda que ela tentou fugir, demonstrando que lutava pela própria vida. Já a narrativa religiosa católica sustenta que Benigna resistiu até o fim em defesa de sua castidade”, afirma.

A devoção popular cresceu ao longo dos anos, e o local do crime virou ponto de peregrinação. Em 2005, a comunidade construiu o Santuário-Memorial de Benigna, onde são expostos objetos como o pote que ela carregava e seu vestido. O processo de beatificação começou em 2011, e em 2019 o Papa Francisco reconheceu seu martírio. Em 24 de outubro de 2022, Benigna foi beatificada, tornando-se a primeira beata do Ceará e a quarta mártir do Brasil.

O Complexo Benigna Cardoso, inaugurado na cidade, inclui um santuário, uma estátua com mais de 20 metros de altura e espaço para missas campais, com capacidade para 100 mil pessoas. A devoção também movimenta a economia local, como destaca a vendedora Leila Patrícia de Vasconcelos: “Nesses dez anos, o movimento aumentou bastante. Primeiro, com a beatificação; depois, com a inauguração do complexo. Hoje, são muitos visitantes que vêm até a cidade, e isso gera renda e traz benefícios”.

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